Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes
Overview
REVIS Alcatrazes, em São Sebastião, é o maior refúgio marinho de SP, com biodiversidade única e mergulho controlado pelo ICMBio, a 35 km da costa, com aves, peixes e baleias.
O Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes (REVIS Alcatrazes) é a maior e mais importante unidade de conservação marinha de São Paulo — e uma das mais relevantes do Brasil inteiro. Aquela silhueta montanhosa e misteriosa que se avista no horizonte a partir das praias de Maresias, Boiçucanga e Juquehy é ele: o arquipélago fica a apenas 35 km da costa de São Sebastião, mas parece pertencer a outro mundo.
Uma Longa Batalha pela Proteção
A história do REVIS é inseparável da história da Marinha do Brasil: por quase 30 anos, o arquipélago foi utilizado como alvo de exercícios de tiro de canhão e bombardeio aéreo — o que paradoxalmente ajudou a preservar sua biodiversidade ao afastar pescadores e visitantes, mas também causou danos às formações rochosas e ecossistemas da costa. Após quase três décadas de pressão de cientistas, ambientalistas e redes de proteção como a Rede Pró-UC, o Decreto Federal de 2 de agosto de 2016 criou oficialmente o Refúgio de Vida Silvestre, encerrando o uso militar e abrindo o arquipélago à pesquisa científica e ao turismo de mergulho controlado.
Dimensões e Gestão
Com 67.479 hectares (cerca de 673 km²), é atualmente a segunda maior unidade de conservação integral da Marinha do Brasil, atrás apenas do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. É gerido pelo ICMBio de forma integrada com a vizinha Estação Ecológica Tupinambás (ESEC), formando o Núcleo de Gestão Integrada ICMBio Alcatrazes, com sede no próprio bairro do Arrastão, em São Sebastião.
Biodiversidade Única
O arquipélago abriga um dos acervos de biodiversidade mais concentrados e exclusivos do Brasil:
1.300 espécies registradas, sendo mais de 100 ameaçadas de extinção
259 espécies de peixes — incluindo garoupas, tubarões-martelo e espécies endêmicas como o Elacatinus figaro
Fauna recifal mais conservada e biodiversa do Sudeste e Sul do Brasil
91 espécies de aves, com destaque para fragatas (Fregata magnificens) — o arquipélago abriga o maior ninhal de fragatas do Atlântico Sul —, atobás e gaivotões
Espécies endêmicas únicas que não existem em nenhum outro lugar do planeta: Scinax alcatraz (anfíbio) e Bothrops alcatraz (a jararaca-da-ilha), um réptil peçonhento que só vive em Alcatrazes
10 espécies de cetáceos, incluindo baleia jubarte (especialmente no outono/inverno) e baleia-de-bryde (ano inteiro)
Visitação e Mergulho
A visitação é regulamentada pelo ICMBio e exclusivamente realizada por empresas de turismo cadastradas, que partem das marinas e embarcações de São Sebastião com condutores autorizados. Existem 10 pontos de mergulho autônomo homologados, com variações de profundidade, dificuldade e características ambientais — dos mais acessíveis para iniciantes aos paredões verticais para mergulhadores experientes.
Melhor época para mergulho: novembro a maio (melhores condições climáticas e oceanográficas)
Baleias jubarte e aves pelágicas: mais comuns no outono e inverno
Baleia-de-bryde e golfinhos: presença registrada durante o ano inteiro
Informações de Contato
Gestão: ICMBio — Núcleo de Gestão Integrada Alcatrazes
Endereço da sede: Av. Manoel Hipólito do Rego, 1907 — Bairro Arrastão, São Sebastião (CEP 11.605-136)
E-mail: usopublico.alcatrazes@icmbio.gov.br
Acesso: Somente por embarcação autorizada — saídas de marinas de São Sebastião
Distância da costa: ~35 km — trajeto de aproximadamente 1h30 de barco
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